Estudante indígena do IFMA conta sobre experiências no instituto

O indígena da comunidade Guajajara, do estado do Maranhão, Geclesio Vitoriano Faustino Guajajara, 17 anos, é a primeira pessoa de sua família a ingressar em um instituto federal. Em 2017, ele iniciou o Ensino Médio no campus Barra do Corda do IFMA, onde faz o curso Técnico em Informática. O estudante admitiu que enfrenta dificuldades no dia a dia, no entanto, demonstra que é persistente: “a ideia de entrar no instituto foi iniciativa minha. Apesar de a rotina ser puxada, eu aprendo algo novo todo dia. E o conhecimento vai além dos estudos, é para a vida também.”

Antes de entrar no instituto, o índio Guajajara disse que tinha receio de como seria a relação dele com as pessoas do local. Mas a experiência que ele vive do ano passado até o momento surpreendeu o estudante. “Eu achava que as pessoas iriam me olhar diferente e pensar ‘poxa, um índio estudando aqui?’. Eu fiquei receoso. Mas, na verdade, em pouco tempo eu consegui me entrosar com meus colegas e professores. O medo foi passageiro”, afirmou.

Em um primeiro momento, o curso de Informática também foi um desafio para o jovem que não tinha conhecimento na área. “Quando entrei no instituto, não sabia mexer em um computador e não tinha muita noção de nada. Eu pensei que seria difícil, mas me adaptei fácil ao ensino do local. Passei a gostar muito da informática, porque é um ferramenta presente em todas as atividades cotidianas.”

Desde pequeno, o estudante já sabe qual a escolha vai fazer quando prestar vestibular: Medicina. “Eu quero ser pediatra, sempre me dei bem com criança. E o conhecimento em informática vai contribuir bastante para a minha formação como médico, porque é uma das áreas que mais crescem dentro da tecnologia. A nanotecnologia é um exemplo disso: ela é um recurso capaz de mudar vidas, de ajudar as pessoas nessa questão da saúde.”

Projeto de Pesquisa – No campus onde Guajajara estuda, existe um projeto de Iniciação Científica Júnior (PIBic Jr), o “Histórias de hoje e histórias de antigamente: um encontro com a literatura oral indígena”, idealizado e orientado pelo Técnico em Assuntos Educacionais do IFMA, Thiago Silva. De acordo com Silva, o estudo “levanta as narrativas orais mais contadas pela comunidade indígena Guajajara e faz um estudo de sua identidade”.

“O Geclesio fará o reencontro dessas histórias, preservando as características orais, textuais e estéticas de seu povo. Posteriormente, publicaremos tanto na língua tupi quanto na portuguesa. As duas publicações são necessárias, porque, por um lado ela poderá ser utilizada na própria escola da aldeia. E, por outro lado, essa literatura vai circular entre os ‘não índios’, promovendo o movimento ‘conhecer para reconhecer’, ao qual me filio”, afirmou o orientador. A data prevista para conclusão dos estudos é em julho de 2019.

Inclusão – Segundo a pedagoga e Diretora Geral do IFMA, Marinete Moura da Silva Lobo, o IFMA, por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Índio-Descendentes, está discutindo os possíveis caminhos que podem ser traçados para o tratamento da diversidade étnico-racial nos currículos; promovendo cursos de educação profissional e de formação continuada para as comunidades indígenas; e realizando pesquisas acerca da história, cultura e educação das comunidades locais”.

Para Marinete, é preciso promover a inclusão dos índios nos espaços de ensino. “A inserção deles nos processos educativos busca superar as condições de vulnerabilidade social e econômica em que vive a população indígena brasileira. Possibilita, também, desvelar os preconceitos e as discriminações, contribuindo para a explicitação das fronteiras étnicas que passam a se constituir nessa dinâmica, fundamentalmente para a visibilidade e o empoderamento destes sujeitos ditos minoritários.”

“É necessário conhecê-los. No geral, aprendemos o que eles foram no passado. As escolas não mostram os índios no nosso presente. Só conhecendo sua história e sua cultura podemos desconstruir o preconceito e compreender que a maior parte dos povos indígenas enfrentam grandes desafios na busca de condições dignas de vida, de educação, de saúde e de manutenção de seus modos tradicionais de viver”, disse a diretora.

Índios na Rede Federal De acordo com dados da Plataforma Nilo Peçanha, referentes ao ano de 2017, 3.778 estudantes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica se declararam indígenas. No entanto, como nem todos fizeram a autodeclaração, a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), estima que 6.500 índios fazem parte da Rede Federal.

Marina Luísa Oliveira

Assessoria de Comunicação

Conif

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