Rede Federal trabalha conscientização contra LGBTfobia

30180696937 8eba720c05 hO mundo se volta, nesta sexta-feira, 17/5, ao Dia Internacional Contra a Homofobia. A data marca os 29 anos da exclusão da homossexualidade da classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje, desde cedo, o assunto circula entre os mais comentados das redes sociais, incluindo a conscientização sobre a luta contra a discriminação dos homossexuais, transexuais e transgêneros.

No Brasil, onde a cada 20 horas um LGBT (sigla de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros) é morto ou comete suicídio, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) – associação que se dedica, entre outras coisas, a fazer um levantamento detalhado sobre a violência contra esse público – o tema ainda é um tabu a ser desmitificado.

A LGBTfobia deixou 420 vítimas no Brasil em 2018, sendo 320 homicídios, totalizando 76% dos casos de violência computados. Já os suicídios (100) correspondem a 24% dos dados do GGB. Visto isso, a escola se tornou um importante aliado no processo de inclusão e combate às agressões contra minorias. “Muitos jovens abandonam os estudos devido as violências físicas e emocionais que sofrem. Nós estamos trabalhando pela permanência deles em nossas escolas”, conta a pesquisadora e membro do Núcleo de Gênero e Diversidade do campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), Renata Porcellis.

O núcleo de acolhimento de LGBTs, em funcionamento há um ano, oferece atividades como rodas de conversa e palestras. Além disso, a pesquisadora também é responsável por um grupo de pesquisa chamado “Fora da Caixa”, que desenvolve, na instituição, estudos sobre gênero e sexualidade. O tema requer sensibilidade não só de educadores, mas da sociedade em geral, segundo Renata.

Outro exemplo vem do tradicional Colégio Pedro II (CPII), instituição carioca fundada em 1837 que se tornou um exemplo de tolerância e respeito à comunidade LGBT e à diversidade. Em 2014, uma aluna transgênero foi proibida de vestir saia, o que causou uma comoção entre seus colegas. A história surtiu efeito e, por isso, atualmente não há mais uniformes masculino e feminino no CPII. Na prática, cabe ao discente a escolha de qual vestimenta utilizar (calça ou saia), de acordo com sua identificação de gênero.

A instituição também adota na lista de chamada o nome social escolhido por estudantes transexuais. As decisões vão ao encontro dos dados apresentados pela revista científica americana Pediatrics, de que o risco de suicídio de jovens LGBTs que convivem em ambientes hostis à sua orientação sexual ou identidade de gênero é 21,5% maior.

Para o reitor do Colégio Pedro II, Oscar Halac (foto), “não é necessário ser homossexual para cerrar fileiras contra o preconceito. Basta entender que ninguém consegue ser plenamente feliz fazendo pessoas infelizes ao seu lado. Entender que a homossexualidade não é uma doença, nem tampouco um distúrbio mental, e sim a livre orientação de indivíduos sãos e conscientes”, diz.

“As atitudes e sentimentos negativos em relação aos LGBTs não mudarão a vida do preconceituoso para melhor, nem mesmo se o seu objetivo for modificar a orientação do outro – isto não é possível e esta condição não é adquirida ou mutável por influência externa”, enfatiza Halac.

Crimes contra a vida – Os casos de suicídios são preocupantes quando o assunto é a comunidade LGBT. De acordo com o Ministério da Saúde, essa é a quarta principal causa de morte entre os jovens brasileiros com idades entre 15 e 29 anos. Diversas pesquisas internacionais cravam que adolescentes LGBTs são os mais vulneráveis.

A revista Pediatrics diz ainda que, em relação a um heterossexual, o jovem LGBT tem seis vezes mais chance de cometer o ato. Já uma pesquisa da University College Cork, na Irlanda, entrevistou 15 mil adolescentes. Entre os participantes LGBTs ao menos 40% já pensaram, planejaram ou tentaram tirar a própria vida. Para heterossexuais, a taxa cai para 15%. Outra publicação americana, a American Journal of Preventive Medicine, identificou que LGBTs não assumidos são ainda mais propensos ao suicídio.

Ajuda – Outras instituições também prestam atenção ao público LGBT. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece serviço gratuito para pessoas que pensam em suicídio ou enfrentam algum quadro depressivo. Atualmente, a instituição trabalha com um chat e número de telefone (188). Já o Disque 100 funciona como um canal de recebimento, análise e encaminhamento de denúncias de violação de direitos humanos. Ambas as discagens são gratuitas, podem ser feitas de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular) e funcionam 24 horas por dia.

Marcus Fogaça

Assessoria de Comunicação

Conif

(61) 3966-7203

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