Egressa do IFRS está entre as maiores promessas da ciência mundial

da2b422a d6a5 43bf b2b3 0f5c118ae43fAos 19 anos, a jovem cientista Juliana Estradioto acumula resultados bem-sucedidos que têm rendido a ela reconhecimento dentro e fora do País. O mais recente veio sexta-feira, 17 de maio, em Phoenix, nos Estados Unidos, durante a International Science and Engineering Fair (Isef) – uma das maiores feiras de ciências do mundo. Com sua pesquisa sobre o reaproveitamento da casca de noz macadâmia, a técnica em Administração formada pelo Campus Osório do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) foi uma das vencedoras na categoria Ciências Materiais.

Apoiada pelo Instituto Federal do Espirito Santo (Ifes) e sob orientação da professora Flávia Twardowski, do IFRS, ela criou um biopolímero a partir do resíduo agroindustrial gerado no Estado e que é descartado sem nenhum aproveitamento. A partir dessa pesquisa, a ex-aluna do IFRS pretende criar membranas biodegradáveis que possam ser utilizadas em curativos de pele ou em embalagens, substituindo o plástico, por exemplo. A edição de 2019 da feira contou com a participação de mais de 1,8 mil estudantes de 80 países.

Entre as conquistas de Juliana estão ainda os prêmios Jovem Cientista em 2018, na categoria Ensino Médio, e o destaque na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) de 2019. Ainda neste ano, a gaúcha vai representar o Brasil no Seminário Internacional de Ciências Juvenis de Estocolmo (SIYSS, na sigla em inglês). O evento reúne anualmente 25 dos maiores jovens cientistas do mundo para um programa exclusivo de ciência e cultura na semana da solenidade do Prêmio Nobel, oportunizando conhecer os laureados, participar do jantar Nobel Banquet e visitar as empresas de ciência e tecnologia suecas.

Assim que desembarcou no Brasil, Juliana Estradioto conversou com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) sobre a feira, o trabalho desenvolvido no IFRS e suas vitórias científicas.

- Como é produzido o biopolímero?

A partir de uma farinha da casca da noz de macadâmia, que funciona como um alimento para microrganismos responsáveis por produzir o biopolímero. Esse material tem um alto grau de pureza e propriedades interessantes, principalmente as mecânicas, por serem de origem biológica.

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- Qual a funcionalidade desse biopolímero?

Esse material, que se chama celulose bacteriana, é multifuncional. Ele pode ser aplicado como uma alternativa ao plástico, pode ser uma alternativa ao couro de roupas, ou até ser usado para aplicações biomédicas, como veias artificiais ou curativos para a pele.

- A International Science and Engineering Fair é tida como a maior feira de ciências do mundo. Como foi participar e ainda ter sua pesquisa reconhecida?

Essa foi a minha terceira vez na feira. Quando eu tinha 15 sonhava em participar, mas nunca imaginei que eu fosse tantas vezes. É uma experiência indescritível. Tu conheces pessoas das mais variadas regiões do mundo e acaba fazendo um intenso intercâmbio cultural, que, para mim, é a melhor parte. Fiz amizades com gente de todos os cantos e consigo manter mantê-las graças as redes sociais. Eu aprendi muito sobre a realidade dos outros, sobre ter empatia e sobre como realmente é importante me colocar no lugar do próximo para tentar entender um pouco a vida das outras pessoas, pois todos estão ali realizando seus sonhos.

- A professora Flávia Twardowski, sua orientadora, foi eleita como ‘Professor Destaque’ na Febrace 2019 e a parceria de vocês é de longa data. Como é trabalhar com ela e qual a importância dela em seu projeto?

A professora Flávia é uma pessoa incrível. Ela é minha orientadora desde quando eu entrei no IFRS até agora que nem estou mais lá [Juliana concluiu o Ensino Médio em 2018]. Sou muito grata por tê-la como orientadora e a manterei em meu coração. Ela se dedica aos alunos e acredita em nós. Isso é uma das coisas mais bonitas no trabalho dela, pois muitas vezes a gente duvida do nosso potencial.

IMG 20190511 215600428- Qual o papel do IFRS na sua formação acadêmica e pessoal?

O Campus Osorio mudou minha vida completamente. Além de fazer pesquisa, eu fiz atividades de extensão, participei de grupos artísticos, auxiliei meus colegas... A educação no instituto federal é mais global, sabe? Eu me tornei uma pessoa diferente nestes anos. Saí de lá grata por ter estudado em uma instituição gratuita que estimula a ir além das salas de aula.

- Na sua opinião, qual a importância dos institutos federais para o desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa e inovação no Brasil?

Acredito que a pesquisa no Brasil ainda é uma coisa muito universitária. O instituto federal vem para mostrar que isso não é uma exclusividade das universidades federais. Pesquisa na educação básica é linda e transforma a vida de muitos adolescentes que se propõem a entender os métodos científicos. Acabamos desenvolvendo muito o senso crítico. Conseguimos entender e analisar as hipóteses e resultados de uma ação e os impactos no mundo. Essa oportunidade no ensino básico mudou a minha vida e me fez descobrir essa paixão tão grande que tenho pela ciência.

- Você participa de um projeto para dar voz a meninas na ciência. Como surgiu a ideia?

O projeto Meninas Cientistas começou no ano passado logo após eu vencer o prêmio Jovem Cientista. Muita gente me procurou para falar que não sabia que pessoas tão jovens faziam ciência, principalmente meninas. Isso ainda me deixa muito triste, pois eu conheço histórias lindas de meninos e meninas que fazem pesquisa na educação básica. São projetos incríveis e inovadores com muito potencial, além das trajetórias lindas dessas pessoas.

Marcus Fogaça

Assessoria de Comunicação

Conif

(61) 3966-7203

 

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