Estudante do IFSP fará intercâmbio na universidade de Yale, EUA

Aos 17 anosDavi ifsp, o estudante Davi Hassan Ferreira Evangelista foi selecionado para participar do curso de verão da Yale Young Global Scholars (YYGS), nos Estados Unidos. A bolsa de estudos cobre 90% do valor do curso em Ciências Biológicas e Biomédicas na Universidade de Yale. O jovem está no 3º ano do curso Técnico em Química no campus Suzano do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

A maior parte de sua jornada estudantil foi em instituições de ensino com poucos recursos, mas sempre com bons professores. Na rede privada, teve uma experiência no começo da adolescência, quando foi bolsista em uma escola no bairro Tatuapé, em São Paulo – sem comprometer a (já apertada) renda familiar. O contato com o IFSP ocorreu em 2017.

Davi, que nasceu no município de Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo, terá duas semanas de imersão. Sua aprovação, confirmada em março, é motivo de orgulho para a Rede Federal e o IFSP, onde desenvolveu a paixão pela ciência.

Com a viagem marcada para julho, o estudante está lidando com as expectativas para a experiência que se aproxima. Após a semana de provas no campus Suzano, Davi conversou com a equipe do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) sobre a oportunidade. Acompanhe o bate-papo:

Qual a influência que seus pais exercem sobre sua formação? Eles apoiaram a ideia de você fazer intercâmbio nos Estados Unidos?

- Meus pais sempre me apoiaram em tudo. Minha mãe, em especial, sempre dizia que a educação era um caminho único e transformador, e eu acredito nisso. Ela se formou em história, fez pós e se tornou professora; meu pai é analista em uma empresa no Centro de São Paulo. Sou muito grato a tudo que eles me ensinaram.

Como foi o processo de candidatura? Você cuidou de tudo sozinho?

- Passei grande parte das férias redigindo cartas que levavam em conta minhas vivências pessoais, boletins e outros documentos que eram necessários para a candidatura. Pra conseguir a vaga não foi fácil, mas tive muita ajuda de pessoas no IFSP. As professoras Ivana e Maria Raquel, por exemplo, escreveram cartas de recomendação.

Qual tem sido o papel do IFSP na sua vida acadêmica e profissional?

- Em 2017, eu tive a melhor oportunidade da minha vida, que foi ingressar no campus Suzano do IFSP, onde tive oportunidades maravilhosas que me fizeram alcançar coisas que eu nunca tinha imaginado. Desenvolvi a paixão pela ciência, pude me tornar um cientista e consegui entender como poderia mudar a minha vida. No instituto tive muitas oportunidades que me fizeram questionar quem eu era, no que eu acredito e como eu posso mudar a realidade que está a minha volta. É uma instituição muito especial nesse ponto e, por mais que enfrente alguns problemas, é um ponto fora da curva em relação à maioria das escolas públicas. Além do ensino acadêmico, pude ir muito além da sala de aula, envolvendo-me em projetos socioambientais, no diretório acadêmico, no grêmio, em projetos de voluntariado, pesquisas científicas e muitas outras atividades.

Além da equipe disciplinar do IFSP e seus pais, você se inspira em outros profissionais?

- Uma das cientistas que mais admiro é a Zélia Ludwig, que diz que os quilombolas e as culturas indígenas do Brasil já conheciam o poder da cura das ervas medicinais, e isso é ciência. Não foi colocado no papel, quantificado e medido por equipamentos de laboratório, mas é ciência. Quando esse conhecimento começar a ser usado, teremos muitos “Einsteins” no Brasil.

Quem seriam esses “Einsteins”? Na sua opinião, como identificá-los?

- Basta olhar para as crianças brincando em nossas periferias, montando carrinhos de rolemã, empinando pipas, inventando e se reinventando. Eles são criativos, fazem brinquedos com tudo. Imagine a criatividade desses pequenos e pequenas sendo aproveitada para mudar o mundo!

Você acredita que o fator social é um empecilho?

- A dificuldade socioeconômica não deve ser uma limitação. Deve haver apoio. A sociedade precisa ser solidária para que todas as pessoas possam chegar onde quiserem, independentemente de raça, gênero e condição social, por exemplo.

Prestes a se formar, quais são os seus planos para o futuro?

- Mudar essa realidade se tornou um dos meus principais objetivos e é por isso que, futuramente, quero trabalhar com a educação pública e fazer com que mais pessoas tenham acesso às oportunidades que tive. Acredito que assim poderemos reduzir as desigualdades em nosso País e mudar efetivamente a nossa sociedade.

Marcus Fogaça

Assessoria de Comunicação

Conif

(61) 3966-7201

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