Leia a íntegra do discurso de Cláudio Alex da Rocha na posse da nova Diretoria do Conif

CONIF 2021 26Este é um momento de grande alegria e honra para nós, integrantes da nova diretoria do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, o CONIF. Pela primeira vez na história do nosso Conselho teremos uma diretoria composta por um presidente da Região Norte, a qual representarei com muito orgulho e dedicação. Ao meu lado, dividindo essa responsabilidade, quatro grandes gestoras, que ocuparão as vice-presidências, representando um marco para a Rede, sempre orientada pela pluralidade e pela inclusão.

Este também será o início de uma desafiadora etapa em nossa trajetória como gestores: assumiremos a responsabilidade de representar e articular estrategicamente o Conif com vistas ao fortalecimento e consolidação da Rede Federal e da Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Certamente, é preciso desempenhar o nosso melhor para cumprir este papel, com muita determinação e entusiasmo.

Honrado e em sinergia com as nossas reitoras da Diretoria Executiva, – professoras Luciana Massukado, Leopoldina Veras, Nídia Heringer e Deborah Santesso, envidaremos todos os esforços para que a Rede Federal consolide seu protagonismo no desenvolvimento e aperfeiçoamento da Educação e da sociedade brasileiras.

Sabemos que o ano de 2022 será de desafios, principalmente em um momento tão delicado da história não somente do País, mas também do mundo. As transformações provenientes da pandemia do novo Coronavírus afetaram de forma permanente nossas relações, particularmente no campo da Educação. Diante desse contexto, teremos que nos desdobrar para garantir a continuidade do trabalho de qualidade que realizamos em nossas instituições, além de atuarmos com liderança e união em defesa dos valores que nos são mais caros, tais como: autonomia, democracia, inclusão, diversidade, igualdade de oportunidades, dentre outros.

Entre as prioridades desta diretoria está a recomposição orçamentária dos Institutos Federais, dos Cefets e do Colégio Pedro II, por meio de um diálogo permanente com o Ministério da Eeducação (MEC) e o Congresso Nacional. Investir na educação profissional e tecnológica significa investir em um país melhor no presente e, consequentemente, em um futuro mais promissor. A manutenção da excelência das nossas instituições de ensino e pesquisa dependem de investimentos sólidos, que retornarão à sociedade na forma de profissionais qualificados e éticos, serviços e equipamentos, avanços científicos e inovação tecnológica, a exemplo do que ficou evidenciado durante a pandemia da COVID-19, quando a Rede Federal já realizou mais de dois milhões de ações voltadas ao combate ao vírus.

É preciso também, em parceria com as instituições que compõem o ecossistema científico, defendermos os recursos orçamentários necessários para a manutenção e o fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação em nosso País. Os valores destinados a essas áreas, por exemplo, têm sofrido sucessivas subtrações, o que precariza um conjunto de ações, como a concessão de bolsas, a realização de programas, editais e a efetivação de pesquisas, impactando sobremaneira na promoção da ciência e inovação no Brasil, em um momento em que deveríamos ter justamente a priorização desses investimentos, face a tamanhos desafios impostos aos pesquisadores.

Vale destacar que a defesa pela manutenção da nossa Lei de Criação, a 11.892/2008, dos processos eleitorais democráticos e dos processos pedagógicos por ela preconizados também serão objeto de grande atenção e preocupação durante nosso mandato.

2022 é um ano muito significativo. Será um ano marcado por encontros, retomadas... pela esperança. A educação é um ato de amor e nossos estudantes são a razão de nossa existência. Imbuídos desse espírito, nossas unidades estão retornando às atividades presenciais, dado o avanço da vacinação. Respeitando as condições sanitárias de cada região e as normas de biossegurança, queremos ter cada estudante de volta, em cada um dos nossos mais de 650 campi, garantindo a infraestrutura necessária para que o ensino, a pesquisa e a extensão possam ser desenvolvidas em sua integralidade.

A retomada presencial nos remete a nossa história de lutas e de superação, iniciada em 1909, marcada por grandes desafios, mas que desde então têm cumprindo o papel social de romper as barreiras que limitam o acesso ao ensino. Nesse aspecto, nossos compromissos prioritários devem ser o acolhimento, a recuperação, o cuidado com as pessoas, em especial o resgate dos estudantes que, por algum motivo, evadiram das nossas instituições e não conseguiram dar continuidade aos seus estudos. Muitos são esses desafios, em particular quando pensamos na retomada regular das relações com nossos estudantes depois de tanto tempo de distanciamento, como reorganizaremos nossos espaços pedagógicos, os cuidados sanitários e, principalmente, como cuidaremos das questões socioemocionais tão impactadas por essa pandemia.

Por serem contemporâneas, as instituições estão em constante processo de modernização, acompanhando os arranjos produtivos locais e contribuindo para mudar a realidade de comunidades em regiões vulneráveis de nosso País. Assim, nosso plano de trabalho prevê debates e ações para a diminuição das desigualdades e assimetrias regionais, com discussões sobre temas como o “custo amazônico”.

Também estão em pauta a expansão e consolidação de parcerias nacionais e internacionais; o estabelecimento de uma relação mais próxima entre o CONIF, as Câmaras Temáticas e os seus Fóruns assessores, bem como com o Poder Executivo, o Congresso Nacional e com a Sociedade.

Destacamos que as políticas voltadas para o ensino, a pesquisa, a inovação, a pós-graduação, a qualificação dos servidores, a extensão, a inclusão e as relações institucionais estarão permanentemente em pauta.

Vale destacar que 2022 será ainda palco de grandes debates políticos que nortearão os rumos do Brasil para os próximos quatro anos. Será um ano marcado pelas eleições. Por ser uma instituição eminentemente política, o CONIF tem o dever de se posicionar sobre o que espera dos próximos governantes, em especial sobre as políticas públicas voltadas para a Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Para tanto, produzirá uma Carta de Considerações e Compromissos, na qual expressará os anseios e diretrizes para o aperfeiçoamento e avanço da Educação Profissional no País.

Com essas e outras iniciativas, estaremos cumprindo a missão do CONIF de “fortalecer as instituições da Rede Federal, por meio da sua articulação e representação política, em benefício da Educação Profissional, Científica e Tecnológica pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada”.

É fundamental compreendermos que o Plano de Ação proposto por esta diretoria, resulta de um processo de reflexão que temos sido levados a desenvolver nos últimos anos, fruto da troca de experiências entre as reitoras e reitores que compõem o nosso Conselho, das realizações das diretorias anteriores, do relevante trabalho desenvolvido pelos colegas da Rede Federal que integram nossos Fóruns, além dos novos desafios que se estabelecem para este novo ciclo de gestão.

Nesse sentido, gostaria de agradecer pelos avanços e conquistas obtidos por meio de um dedicado e competente trabalho das diretorias que nos antecederam, em nome dos professores Jerônimo e Jadir, estendo a gratidão de nossa Rede às reitoras e reitores que compuseram as diretorias anteriores.

Como faço parte, na condição de vice-presidente de relações parlamentares, da diretoria que encerra o mandato neste ato, tenho propriedade para enfatizar a excelência do trabalho dos reitores Elias, Nicácio e Jefferson, de todos nossos colaboradores que compõem a secretaria executiva, em nome do Alexandre e da Fernanda, e destacar a condução de nossa entidade em 2021, neste período tão complexo, da presidente Sônia Fernandes. Se já havia uma grande admiração por você, Sônia, ao acompanhar mais de perto, não apenas a sua forma de fazer gestão, mas o modo como defende aquilo que acredita, respeitando sempre a opinião das pessoas; também pela sensibilidade, eloquência e força com que você se posiciona em relação aos interesses da Rede Federal. Essa admiração foi especialmente ampliada.  Muito obrigado a diretoria por todo aprendizado e parceria!

Nunca é demais ressaltar que a Rede Federal é singular e, dentro dela, o modelo educacional dos institutos federais passou a ser referência para diversos países. Nesses 113 anos de construção, os resultados que estamos colhendo desse árduo trabalho comprovam que estamos no caminho certo. A Rede Federal só possui essa pujança, diversidade e qualidade exatamente por seu trabalho em rede, que conta com a colaboração de 41 instituições que transcendem seus muros, exercendo suas atividades em prol de todas as comunidades que as cercam.

Atualmente somamos quase 600 programas de pós-graduação, mais de seis mil projetos de extensão tecnológica, cerca de oito mil periódicos, ultrapassamos a marca de doze mil projetos de pesquisa aplicada, dezenas de depósitos de patentes e uma oferta que excede onze mil cursos em diversas modalidades espalhados por todo esse continental pais. Isso demonstra que a Rede Federal registra não só números positivos, mas, acima de tudo, evidencia qualidade.

Não poderia concluir sem antes agradecer a minha equipe de gestão (o diretor executivo, a chefa de gabinete, pró-reitoras e pró-reitores, diretoras e diretores sistêmicos, assessorias, diretores e diretoras gerais). Precisarei ainda mais do suporte de vocês! Um agradecimento especial à comunidade acadêmica do IFPA pela confiança depositada em mim, cujo intensivo diálogo, as experiências, realizações, aprendizados e o firme propósito de formar cidadãos profissionais e éticos moldam o nosso modo de fazer gestão.

Agradecer à minha família, especialmente minha esposa Lena, minhas filhas, Mariana, Sofia e Maria Luiza. Isso mesmo, em casa tenho os incalculáveis prazer e alegria de estar ao lado de quatro mulheres que tanto amo e que forjam com tamanha singularidade o meu jeito ser e de viver. Gratidão família, por toda sorte na vida, pela cumplicidade, amizade, paixão e amor.

Por fim, senhoras e senhores, destaco que, como servidores públicos e promotores da ciência, da tecnologia e da inovação, precisamos combater a desinformação, o negacionismo, o avanço do discurso de ódio e preconceito sobre as pessoas. Devemos estar comprometidos com a formação de cidadãos mais humanos, multiculturais, bem qualificados e preparados para o mundo do trabalho, que auxiliem na construção de um Brasil mais igualitário e justo socioeconomicamente.

O compromisso é estar à disposição da sociedade e da Educação brasileiras e, assim, darmos o nosso melhor à frente do CONIF, com a convicção de que a Rede Federal continuará fazendo a diferença e superará os obstáculos com bastante esforço, atitude e perseverança.

Um ótimo dia a todas e todos! Muito obrigado!

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